Estamos aqui hoje para postar uma entrevista feita com o Sr. Valmir Cardoso 46 anos, um dos antigos alunos da Escola Victor Meirelles onde as salas ainda eram separadas meninos de meninas!
Vamos ver o que deu..
1-Em que ano você iniciou seus estudos no Ensino Victor Meirelles?
R: Iniciei em 1971, com 8 anos, e terminei em 1978. Foi bem na época em que os militares governaram o Brasil através de ditaduras, após o golpe de 1964. Posso lhes dizer que apesar das restrições de liberdade que os governos militares impuseram ao povo brasileiro, todavia a doutrina deles refletia e funcionava bem dentro das escolas, pois o professor era mais valorizado e respeitado, o aluno mais comportado além do bom ensino do amor à pátria que hoje está em decadência.
2-Como funcionavam as aulas?os horários?
R: As aulas eram ministradas em 3 lugares dentro do mesmo colégio. A maior parte das aulas eram dadas naquela salas dentro do prédio principal, sendo que todas as portas ficavam de frente para o pátio interno. O outro conjunto de salas ficava onde é hoje a quadra de esportes e parte do novo prédio do colégio. Eram duas casinhas de madeira, cada uma contendo 2 salas de aula, uma de frente para outra. Além destas, a Escola Básica Victor Meirelles mantinha 1 salinha para ensino de alunos com necessidades especiais. Quanto aos horários, acredito que os horários daquela época se equivalem aos horários que se aplicam hoje.
3-Quantos professores davam aula para a mesma sala?
R: No meu tempo, até a 4ª série era cada sala 1 professor. A partir da 5ª série era um professor por matéria.
4-Lembra o nome e a matéria de algum professor?
R: João Tadeu Lemos (in memorian) lecionava matemática. Dona Jair, lecionava português. Dona Leda, Educação Física, seu Osvaldo (in memorian),Educação Física, Dona Lourdes Burg ensinava matemática, Dona Celeste, cuidava da 4ª Série A, etc.
5-Vocês usavam uniforme?Se sim, quais eram as cores?
R: Este negócio de uniforme era muito lindo. Todos iguais. Não tinha este negócio de roupas indecentes e feiosas como se vê hoje. Para meninos calças compridas azuis com camisas de colarinho com bolso no peito bordado o VM de Victor Meirelles. Os alunos de outros colégio diziam que o VM era de Vaca Malhada. Para meninas saias plissadas com camisas também. Na aula de Educação Física as meninas tiravam as saias e ficavam somente de “bombachas” que eram de cor preta e bem largas que permitiam um bom movimento. Os meninos ficavam de calções. Na parte de cima se usava camisetas, de mangas curtas, estampada o nome da Escola.
6-Qual era a média para passar de ano ?
R: No princípio a média era 7. Depois mudaram para apenas 5.
7-Tinham bastante alunos naquela época?
R: Sim, as salas eram sempre cheias. Meu nome, alfabeticamente oscilava entre o número 37 e 38.
8-Que matérias vocês tinham?
R: Matemática, Português, Educação Moral e Cívica, Geografia, História, Ciências, Religião, Inglês, Educação Física, Física, Química...
9-Como era a estrutura da escola?
R: Uma diretora (a eterna Dona Loni), orientadoras educacionais, professores, serventes e alunos.
10-Havia férias?
R: Certamente...no mesmo modelo de hoje.
11-Seus pais estudaram neste colégio?
R: Não. Só para sua curiosidade, minha mãe estudou no Floriano Peixoto e meu pai em uma escola lá onde é hoje o bairro Machados de Navegantes. Meu pai pegou o tempo em que não se utilizava caderno, e sim um pedaço fino de uma pedra moldurada com madeira, a qual chamava de lousa. Naquela “folha de pedra” se escrevia pouca coisa com um lápis de ponta de pedra, ou cera, ou giz. Logo depois tinham que apagar para escrever outra coisa nela, pois será “só uma folha”.
12-Atualmente conhece algum professor daquela época?
13-Nos conte algo interessante sobre o antigo colégio.
R: Os preparativos para o desfile de 7 de Setembro. Alguns meses antes desta data, os alunos eram levados ali para a Av. Marcos Konder e então, com a fanfarra do próprio colégio, gastávamos as aulas ensaiando a “marcha”. E depois, no dia do desfile, felizes da vida, seguindo nossa fanfarra pela rua Dr. Hercílio Luz. Marchávamos como se estivéssemos num quartel. Fui componente da fanfarra pelo menos 1 ano. Naquele tempo a Prefeitura Municipal premiava os colégios que fizessem “bom desfile”...incentivo do Governo Militar. No domingo seguinte, havia a apresentação das fanfarras ou no Estádio do Marcílio Dias ou no Almirante Barroso, onde a melhor fanfarra recebia um troféu.
14-Quem era a diretora ou o diretor naquele tempo?
R: Dona Loni Kobarg Cercal (acho que era assim o nome dela). Uma mulher de primeira linha. Mais mansa e pacífica impossível. Nunca vi aquela mulher levantar a voz para nenhuma professora ou aluno. Morava (ou mora?) na casa em frente ao atual prédio do Victor Meirelles, ao lado do antigo endereço da Padang-Padang.
15-Vocês tinham cantina?
R: Sim. A cantina ficava no galpão de educação física no lado feminino. Pois é. Naquela época os meninos na hora do recreio ficavam de um lado do Victor e as meninas no outro lado.
16-Havia formatura?Onde foi?
R: Não me lembro de haver formaturas para 4ª ou 8ª série naquele tempo. Se houveram, eu não participei.
17-Se quiser contar algo que esquecemos de colocar ou alguma curiosidade!
R: Tínhamos muitas professoras que eram freiras. Eram professoras mansas, caladas, amáveis. Me lembro da Dona Elida. A influência da religião católica era muito forte dentro do Victor. Na época das Campanhas da Fraternidade, as professoras de religião arranjavam um toca discos – daqueles com capas plásticas – e traziam para as salas de aula a fim de ensaiar conosco algumas músicas do Padre Zezinho e também outras músicas destas campanhas. Também se ouvia muito as músicas religiosas de Roberto Carlos, como por exemplo, “O homem” e Rita Lee/Nalva Aguiar com a música “José“.
18 – Esta é por minha conta....
R: Naquele tempo o Victor mantinha um certo livro chamado “Livro Negro”. Todo aluno que porventura fosse pego desobedecendo uma ordem dos professores, ou brigando, ou dizendo palavrão, etc, era conduzido até o gabinete da Dona Loni e ali assinava o tal livro. Diziam que com três assinaturas o aluno era expulso do colégio. Graças a Deus eu não sabia assinar meu nome (rs).
19 - Hoje quem ele é:
R:Sou pastor de um rebanho aqui mesmo na Praia Brava. Também sou programador de computador. Tenho 2 filhas!
Atualmente sou professor da Univali no curso de Odontologia.